Através de uma parceria com a Marinha Portuguesa, a Aporvela fez embarcar 50 instruendos na primeira etapa da viagem de circum-navegação do NRP Sagres e que comemora os 500 anos da navegação à volta da terra comandada por Fernão de Magalhães e Juan Sebastian Elcano.
Os nossos associados viajaram entre Lisboa e Tenerife e, entre eles, destacou-se o Alexandre Pinto que nos escreveu este fantástico testemunho e que representa o espírito a bordo da barca e a importância do treino de mar no desenvolvimento da juventude.

“Olhando para a Sagres de início, de terra firme, é-nos revelada a sua essência, o seu espírito, a sua clara imponência.
Mas só entrando lá dentro, assentando os pés sobre o seu convés, conseguimos entender que a Sagres não é só a Sagres. A Sagres são os Homens e Mulheres que dela fazem parte, sejam eles oficiais, praças, sargentos ou cozinheiros: A Sagres é o intenso pano que voa sobre o convés; a Sagres é Portugal e, acima de tudo, a Sagres é união.
União do navio com as pessoas, união de civis e militares, que juntos passam os dias e juntos são Portugal.
Torna-se difícil descrever a Sagres e a aventura que nela vivi. Apenas posso referir o acolhimento que senti por parte de toda a tripulação que, surpreendentemente, me tratava como se da sua família fizesse parte.
Subir aos mastros foi mágico mas, ouvir as histórias de alguns militares ainda me fez vibrar mais.
Ouvir o Hino Nacional à saída de Santa Apolónia foi o momento chave que me mostrou que estava no lugar onde devia estar e à hora em que devia estar, estava dado o início de uma grande aventura e de uma grande aprendizagem, da qual nunca me irei esquecer.
Na Sagres aprendi que, mais do que ajudar, temos de respeitar o espaço daqueles que todos os dias funcionam como embaixadores de Portugal lá fora.
Na Sagres criei amizades que, algumas delas, espero que se mantenham durante muito tempo.
Sendo o mais novinho do grupo, na Sagres também, aprendi não existirem fronteiras entre idades, nacionalidades ou profissões, fomos e somos um só corpo.
Resta me prestar através deste meu testemunho um agradecimento especial a toda a equipa da APORVELA que, nas mãos teve um papel fundamental para que esta experiência que não consigo traduzir por palavras fosse possível.
Peço que a todas as pessoas que possam vir a por gosto neste testemunho, não o ponham por aquilo que leram, mas sim pelo orgulho que certamente sentem por esta barca e pela incrível Guarnição que lá estará um ano, fora de casa, longe da família.
Um grande bem haja a estes militares que longe de casa e movidos pelo amor pela Pátria, representam Portugal além mar, regidos pelo Talant De Bien Faire e pelo seu patrono Infante Dom Henrique.
Mar chão e ventos de feição.
Alexandre”